Você está prestes a conhecer o momento em que tudo começou.
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Capítulo 2 — A escola
Santa Verena, Rio Grande do Sul. Seis meses antes.
O sinal tocou alto. Seria o intervalo. Hora do lanche, da conversa, e um bom momento para Rafael divulgar suas aulas.
Os uniformes azuis e amarelos desciam pelas escadas, ocupavam os corredores, se espalhavam como sempre fizeram. Uma sensação estranha.
Antes, ele odiava aquela camisa. Agora… dava saudade.
Saiu do amplo vão de entrada, abrigado por aquelas paredes frias quase centenárias, e ingressou no corredor, passou pela sala 204, que antes abrigava a Turma 31.
O ruído do ventilador da sala somou-se ao ruído de vozes, risadas e passos que, ainda assim, ecoavam.
Uma menina de cabelos dourados pegou um panfleto. Rafael assentiu, quase automático.
E então lembrou de Manoela, seus olhos verdes.
O sorriso veio sem pedir — leve, quase imperceptível.
Mas não durou. Manoela se dissolveu, mesmo sem querer. Apareceu Artur.
Antigo colega. Maior. Bruto.
Veio o soco no segundo ano e, instintivamente, levou a mão ao queixo. Também a imagem de Artur com Manoela.
— Obrigado! — agradeceu um rapazote magrinho ao pegar um dos panfletos que Rafael lhe estendia.
Tentando se livrar da imagem daquele escroto do Artur, tentou lembrar da última menina com quem ficou. Ah! Juliana. Morena e bem bonitinha. Colega de faculdade.
Faculdade! Pra quê lembrar? Largara há seis meses. Flash da briga com o pai.
Em meio aos pensamentos, entregava mais um flyer.
Outra menina vinha em sua direção. Linda! Cabelos presos, maçã do rosto bem rosada. Efeito de alguma make que elas estavam usando direto.
Outras também desfilavam suas bochechas rosas.
A garota veio direto perguntando.
***
— Você dá aula de ióga? Adoro a ióga, que máximo!
— Não é ióga, é Yôga! — responde o garoto que distribuía os panfletos, ao mesmo tempo em que fechava o sorriso que havia surgido antes.
Lívia não queria ser rude. Aliás, estava receptiva e com o astral lá em cima, como de costume. Mas, em vez de contemporizar, aceitou o desafio:
— Minha profi fala ióga e diz que é tudo a mesma coisa. Importante é a união de todos.
— Garota, o certo é Yôga. E com acento! E também é uma palavra masculina. E a união não significa unir pessoas. Mas vem de jungir, de conexão interior e libertação.
Agora ele parecia pedante mesmo. Enquanto todo mundo pegava o panfleto e jogava fora, ela, que estava interessada, era tratada daquele jeito.
Ia conseguir aluno como?
O rosto dele parecia familiar. Ex-aluno, talvez.
— Em que academia você vai dar aula? — resolveu dar mais uma chance ao garoto — ela era assim.
— Yôga de verdade não é dado em academia, mas em escola filosófica — e vou abrir uma aqui perto.
Lívia pensou: Meu Deus! Que garoto difícil!
— Tô seis meses fazendo ióga na academia e tenho certeza que ela é de verdade. Minha professora foi até pra Índia. Você já foi?
— Não! Mas pode ter certeza que, se a sua professora fala ióga, ela foi à Índia "turistar" — e deu um risinho irônico.
Lívia não entendia. Ela seria super parceira para fazer aquela aula gratuita. Estava curiosa até! Mas o jeito dele… desmotivava.
Todo esse drama por causa da acentuação gráfica?
Me poupe!
Pior: ainda estava dando plateia!
Algumas amigas e colegas de aula se juntavam ali para ver aquele clima se formando.
Um dos garotos cumprimentou o tal professor de “iôga”.
— Aí, Rafa! Como tá? Que anda fazendo aqui? E a facul?
Rafael!? Lívia lembrou vagamente. Mas era um garoto mais forte. Cabelo bem cortado, estilo americano. Agora estava mais magro. Barba por fazer, fios desgrenhados.
— Tranquei o curso e agora vou dar aula de Yôga. Bora conhecer a escola — responde Rafael, mostrando seu panfleto.
— Por que você não faz umas demonstrações lá na quadra? Daquelas posturas maneiras? — Lívia se intrometeu no diálogo entre Rafael e Gabriel.
— Maneiro. Bora, Rafa? — Gabriel acabou comprando.
Não é que o rapaz aceitou o desafio? Pensou
Quando Lívia percebeu, um grupo já considerável se dirigia à quadra esportiva no pátio.
***
Rafael não sabia se tinha feito certo em aceitar a demonstração. Aquela aglomeração tomou proporções inusitadas.
Não estava no seu script mental.
Por outro lado, praticava horas e horas por dia. Por anos. Estava preparado.
Não fez parte das suas mentalizações matinais antes do samyama — técnica usada para praticar a meditação — fazer demonstrações de técnicas corporais no pátio da escola.
Sempre mentalizava suas ações. Afinal, elas funcionavam como uma âncora prévia para seu sucesso. Ainda que sucesso não fosse uma palavra da sua vida atualmente.
Mas talvez essa fosse uma boa oportunidade!
Chegando na quadra, posicionou-se no centro, enquanto os alunos fizeram uma rodinha instintivamente.
Tirou os sapatos e a camisa.
A peça surrada e folgada caiu, revelando um corpo mais magro — mas completamente definido, como se cada músculo tivesse sido esculpido com precisão.
Começou com uma posição de equilíbrio. Sob um pé só, acoplou uma técnica de torção no corpo.
Para um neófito descuidado, era apenas um rapaz numa perna só.
Mas ali exigia um controle imenso!
O olhar projetado para o lado oposto, sem um ponto fixo à frente.
Instabilidade controlada.
Um dos rapazes da volta tentou fazer o mesmo. Desequilíbrio e risos.
Dali, desceu o tronco bem devagar, como se negociasse com a gravidade. Oblíquos abdominais se destacavam. O corpo inteiro participava.
Tronco se aproximou do solo, as mãos, suavemente tocaram na quadra.
Apesar do cimento duro, apoiou-se nas pontas dos dedos e, então, debruçou-se sobre os braços. A perna que sustentava o equilíbrio elevou-se. O peito se arqueou. As pernas subiram — de frente para o solo.
Era o encaixe perfeito para a posição que chamavam de pavão, ainda que Rafael sempre a nomeasse em sua forma original — em sânscrito.
As pernas erguidas lembravam a ave, enquanto o corpo inteiro se sustentava sobre as pontas dos dedos.
E veio outra técnica.
E outra.
E mais uma.
As técnicas brotavam.
Rafael parecia em transe, mantendo um sorriso confiante e alheio aos gritos, aplausos e celulares apontados. Alguém, com certeza, já postava tudo no Tik Tok.
Agora ele estava de ponta cabeça.
Imóvel, parecendo que aquilo era a coisa mais fácil do mundo.
De repente, as duas pessoas que estavam bem a sua frente se afastam.
Pareceu que a fenda se abriu para que ele pudesse ver, ao longe, aquela menina de óculos, invertida.
Olhares se cruzaram.
Mas aquilo não significou nada para ele.
Não agora…
***
Clara se assustou.
Parecia que vira um fantasma.
R-A-F-A-E-L!
O nome veio inteiro, letra por letra, como se estivesse sendo lido dentro dela. Era ele! O menino por quem se apaixonara no ensino fundamental. Ela e Aline. As duas pirralhas que seguiam o rapaz pelo recreio sem ele perceber.
Ou percebia?
Ele estava mais magro. Cabeludo. Com barba. O corpo todo definido.
O que será que ele está fazendo no colégio? Se formou há dois anos. E o que ele faz de cabeça pra baixo? Que roda é aquela?
Clara, como sempre, estava descendo muito depois de tocar o alarme do intervalo.
Era sempre assim, arrumar melhor um material, uma pergunta para o professor sem a plateia ou adiantar o tema do dia seguinte.
Estava saindo para o pátio olhando para o chão, como de costume. Como se os corredores do colégio fossem cheios de armadilhas e artefatos para desvios súbitos.
Muito tímida, poucos amigos, dificuldade de se enturmar. Escondia parte do rosto sob os cabelos crespos. A outra parte era escondida por óculos grandes demais.
O corpo, que dera pra criar curvas no último ano, era camuflado por moletons largos.
Estava distraída. Como sempre, pensando o que fazer para passar mais um intervalo. Às vezes eram intermináveis.
Foi quando viu o garoto de pernas pro ar.
A cena inusitada lhe chamou a atenção.
Viu que o rosto era familiar. Reconheceu, tomou um susto. Teve a impressão clara de que os olhares se cruzaram. Outro susto.
Quase deixou cair sua maçã, ainda não mordida, das mãos.
Seria a primeira vez que ele realmente a via?
Se ele soubesse quantos cadernos guardam seu nome! Rabiscado… Escondido. Repetido.
Clara nunca jogara um caderno fora. E ele… estava em todos eles.
Continuou, instintivamente, andando em direção a roda.
Parou alguns metros antes. Hesitou. Não sabia o que fazer. A roda parecia grande demais. Barulhenta demais.
Mas ele estava ali. E ela deu dois passos à frente.
E mais um.
Passos quase trôpegos. Como se estivesse entrando em território desconhecido.
Parou na borda do grupo. Sem saber exatamente o que fazer com as mãos, com o corpo, com o olhar.
Então viu alguém conhecido. Bruno. Conhecia bem porque, junto com ela, eram os únicos que gabaritavam quase todas as provas de matemática.
E até trabalhos fizeram juntos.
Soltou o ar! Deu um oi quase sumido.
Bruno demorou um pouco, pareceram uns segundos a mais, mas respondeu:
— Ah! Clara, né?!
Ela assentiu. Pequeno sorriso. Alívio mínimo.
— O que tá acontecendo aqui? — olhando de canto de olho para o centro da roda, enquanto Rafael estava imóvel com o corpo todo suspenso sobre os antebraços.
Como ele faz isso? Pensou
***
Bruno cruzou os braços. Seu olhar sempre analítico e pragmático desconfiava daqueles dribles com a gravidade.
— Boa pergunta. — Bruno respondeu para Clara.
Fez uma pausa. Observando… Calculando…
— Ou o cara treina muito… — disse, sem tirar os olhos da cena— …ou tem alguma coisa estranha aí.
Clara não respondeu. O que não foi surpresa para Bruno. A menina tá sempre calada. Até se surpreendeu em ouvir a voz dela hoje.
Rafael descia de mais uma posição com controle absurdo! Sem tremor.
Bruno inclinou levemente a cabeça.
— Isso não é normal — murmurou. Sem parecer assustado. Estava realmente interessado. Curioso.
E então desviou o olhar. Viu Lívia. Sempre linda! Notou que a menina não estava na mesma postura de antes. Os braços cruzados tinham relaxado. O sorriso irônico do corredor… diminuído.
Agora ela observava. De verdade.
— Mudou rápido de opinião — comentou Bruno, meio de lado.
Lívia respondeu rápido, mas nem olhou para ele:
— Ele é bom — disse. Sem rodeios. Simples. Sem deboche.
Bruno soltou um risinho pelo nariz:
— Não foi isso que tu achou lá no corredor.
Agora ela olhou.
— Eu continuo achando ele insuportável!
Pausa.
— Mas ele é bom.
Bruno assentiu, como se registrasse aquilo. Interessante!
Voltou a olhar para Rafael. No centro da roda ele sustentava mais uma inversão. Imóvel. Respiração controlada.
Mas por um instante… o olhar dele escapou: Lívia. Direto. Bruno sentiu!
Foi rápido. Quase nada. Mas aconteceu. E Bruno deu um leve sorriso de lado. Então é isso!
Rafael voltou a uma posição neutra. Alguns aplaudiram, uns gritaram. Mas o rapaz não olhou para ninguém. Só para Lívia. Por segundos a mais do que deveria. E só então desviou.
***
Rafael controlava a respiração perfeitamente. Por dentro seu coração estava a mil, mas desacelerando rápido. Quem olhasse de fora veria um semblante sereno como quem estivesse saindo da sala de aula, depois de uma hora sentado. Mas ele estava treinado. Controle respiratório muito acima da média. Quase atleta.
Ficou satisfeito por não ter errado. Por ter chamado a atenção — ajudaria para encher suas aulas. Satisfeito, também, porque aquela menina atrevida que lhe desafiara tinha gostado. Ao menos essa fora a leitura rápida quando trocaram olhares no final de sua demonstração.
Mas aí, ela falou, com sorriso no rosto:
— Gratidão.
Que sina! Não poderia apenas dizer valeu, ou obrigado… Era mais uma gratiluz. Pensou, fechando a cara.
Imaginou que o intervalo findaria logo. Alguns já olhavam seus relógios e celulares.
Já não era mais uma roda. Já era um grupo formado e perguntas sobre o que era aquilo que acabara de fazer.
Bateu o intervalo.
Poucos começaram a voltar para as salas, mas a maioria permaneceu ali.
A menina ioga aproveitou uma brecha e perguntou:
— Você poderia dar uma aula, né?
Rafael, agora com a respiração totalmente controlada respondeu:
— Claro! Podemos marcar, sim. O endereço tá aqui no papel que tô distribuindo.
A garota gratiluz é chata mas simpática. Pensou e sorriu.
Enquanto ele pensava na tinta fresca, nos EVAs ainda desmontados — que teria trabalho pela frente —, Lívia o interrompeu:
— Então dá uma aula pra gente agora!
Pensou de novo na sala… talvez conseguisse improvisar, se alguém ajudasse a montar os EVAs.
— Claro! Minha sala fica a duas quadras da Escola, a gente pode…
— Não! Aqui! — Cortou a menina ioga. Agora ela ganhava um apelido
— Agora? — falou Rafael.
— Ué! — respondeu ela rápido. — Ou tu só faz pose?
— Ela não perde uma. — Quem falou foi um garoto que estava ao lado da menina ioga e a de óculos que chegou depois. O mesmo que parecia que estava medindo Rafael o tempo todo.
— E? — alguém falou — Por que não? Aula de filosofia agora, ninguém merece.
Vozes em coro:
— Ninguém merece!
— Ele é insuportável
— Ele fede! — um último falou e provocou risos.
Rafael hesitou.
— A diretora vai pegar a gente… Eu já escapei dela, mas vocês…
Dona Lucélia era implacável. Estilo marcial! Um general de saias. Quase de bigode, com aquele buço proeminente.
— Tem o porão!
A frase caiu pesado. Quase um silêncio depois. Alguns se entreolharam.
— Tá trancado! — Alguém falou.
— Tá nada! A porta tá só emperrada. Tem um jeitinho. — A resposta veio rápida.
Mais rápido ainda foi a indagação:
— Como você sabe?
— O Diego contou!
— Diego?!
— Sim! Ele vive lá matando aula e curtindo a vibe dele - alguém falou.
A ideia foi comprada rápido.
— Bora, então!
— Bora!
— Fechou!
Uma decisão coletiva, feita às pressas.
Aquilo estava grande demais.
Rápido demais.
Rafael não esperava nada daquilo. Mas poderiam ser alunos novos. Deveria ter mais de dez pessoas ali. Por que não?
Jamais imaginou que daria uma aula no porão de sua antiga escola. Tantas lendas envolvidas quando criança…
— Então vamos! — falou, enfim, Rafael.
Algumas falas de aprovação surgiram, um até bateu palma. Tudo para matar uma aula!
A menina de óculos dava passos tímidos para trás, olhando pra baixo e saindo de fininho. Mas acabou dando uma última olhadela para trás.
Foi quando Rafael perguntou:
— Tu não vem?
Ele sentiu o ar de hesitação. Um sorriso se formou na garota. Ela parecia congelada. Rafael quase percebeu seu coração saltando pela boca.
Silêncio no ar. As pessoas que compraram a ideia já estavam indo em direção ao porão.
Rafael não sabia se já começava a acompanhar a turma ou ficava ali eternamente esperando uma resposta.
Mas antes que a menina respondesse, o garoto que estava ao seu lado durante sua demonstração, resolveu aquela indecisão:
— A Clara nem precisa mais ir na aula de filosofia, tirou dez em todas as provas! Bora, Clara.
— Não acredito! Até a Clara vai matar aula — alguém comentou e risos se seguiram.
Rafael seguiu à frente sem perceber que liderava.
E fez o que sempre fazia quando as inquietações começavam a se mover — seguiu mesmo assim.
Acompanhado de mais sete alunos da escola, começou a se esgueirar pelas escadas do colégio, rumo ao porão.
Capítulo 3 — O Porão
O sinal tocou. Diego já estava indo na direção oposta. Desceu a escada lateral, no contrafluxo como quem conhece o caminho.
E conhecia.
Aquela parte do colégio era mais fria. Silenciosa. Mais velha.
Os barulhos do pátio ficavam distantes. Como se estivessem sendo engolidos.
Ele empurrou a porta. Ela não abriu de primeira.
Nunca abria. Precisava de um jeitinho. Que foi feito no automático. Logo após a primeira emperrada.
A madeira cedeu com um estalo seco. Como um hálito úmido, sentiu o cheiro daquele lugar pouco visitado.
O ar lá dentro era outro.
Parado.
Pesado.
Diego entrou, puxou a porta até quase trancar. Sempre fazia isso, caso precisasse sair rápido.
Desceu mais alguns degraus.
Finalmente o porão.
Pouca luz, cheiro de coisa antiga… de lugar esquecido.
Mas não era a primeira vez. Ele gostava dali. Sem professor, sem colega enchendo… sem ninguém perguntando nada.
Sentou no canto de sempre. Encostou na parede.
Finalmente, tirou o baseado do bolso. Impecável! Meticulosamente fechado na véspera e cuidadosamente colocado no bolso.
Contemplou por alguns segundos sua obra de arte. Sem pressa.
Isqueiro em punho.
Acendeu.
A primeira puxada veio forte.
Segurou.
Soltou devagar.
O silêncio ficou mais denso. Ou foi só sensação.
Encostou a cabeça na parede. Fechou os olhos, já acostumados com a penumbra.
Abriu os olhos e foi para sua segunda tragada.
Então viu.
No chão.
Havia visto antes. Sabia que tinha um círculo esculpido no chão, mas nunca percebera assim. Tão perfeito.
Ficou imaginando como conseguiram… Ele não consegue fazer um assim de dez centímetros no seu caderno usando um compasso…
No centro, geometrias estranhas, umas letras diferentes… Lembrou de na próxima vez trazer um pano ou algo assim para limpar e ver melhor com a luz do seu celular.
Já estava imaginando o quanto iria viajar com esse desenho.
Aliás, o pouco que não estava coberto de poeira… parecia se mexer.
Riu sozinho.
Estava curtindo ainda mais o momento quando ouviu vozes.
Parecia que estava dentro da sala de aula. Que viagem!
— Tem alguém aí? — ouviu alguém falar.
Olhou pra frente.
Estava começando a desconfiar que não estava tão louco assim, pois viu que o porão estava sendo invadido por alunos.
— É tu, Diego?
Era a galera da turma. Quase em peso. Pelo menos parecia.
Lívia — claro.
Bruno. Henrique. Marina ou Mariane? Gabriel…
Uns, ele nem sabia o nome.
Até a Clara… no porão…
Tô viajando mesmo. Riu. Dessa vez mais baixo.
Eles estavam sendo liderados por um cara diferente. Mais velho. Barba por fazer.
Professor novo?
Só o que falta é começar a ter aula no porão e acabar com meu sossego! Pensou quase alto.
— Quer fazer aula com a gente?